 |
Os maus exemplos
Em Setembro do ano passado fui a um Colóquio em Canterbury e resolvi perguntar a um dos oradores porque razão havia um documento da Associação Internacional dos Supervisores de Seguros que dizia que não era preciso ser Actuário para fazer estudos actuariais (tipo não é preciso ser médico para praticar medicina).
O orador disse-me que o autor desse parágrafo estava na plateia e precisamente sentado ao meu lado esquerdo, pelo que o convidou a responder.
Olhei o senhor em causa e fiquei a aguardar pela resposta. Apresentou-se como sendo um “Account” (um auditor das contabilidades) e que teria proposto esse parágrafo quando era director de um instituto europeu de supervisão de seguradoras. Na sua opinião podia haver não-actuários que fizessem estudos actuariais.
Retorqui que então um Actuário também poderia ser “Account” já que, caso contrário, estararíamos perante uma discriminação, facto que deixou o referido senhor nitidamente embaraçado e o levou a repetir o que já tinha dito.
Apenas percebi o embaraço quando verifiquei a lista de presenças no Colóquio: o referido “Account” transitara do referido instituto público de supervisão de seguradoras para uma multinacional de auditoria ...
É engraçado como estas coisas são a nível europeu e ainda mais quando vivemos uma crise financeira cujas raízes muitos ainda não entenderam: a falta de confiança no sistema financeiro por parte de muitas pessoas e instituições do próprio sistema financeiro.
Como é que se querem impor medidas de boa governação das sociedades financeiras se quem as faz, neste caso as instâncias europeias, dão os piores exemplos na matéria?
O senhor a quem me refiro é responsável pla inclusão de uma frase que é favorável à instituição para onde foi trabalhar algum tempo depois, num documento oficial de uma instituição europeia.
E este é apenas um péssimo exemplo dos princípios de boa governação.
Efectivamente os Actuários são um problema para algumas multinacionais da Auditoria ávidas de mais negócio e que usam a sua influência em Bruxelas para impor às seguradoras a sua incapacidade actuarial.
O futuro mostrará que a “moeda boa expulsa a moeda má” esperando-se que a razão se sobreponha aos interesses menos nobres de alguns.
|